
O Colégio Moderno foi fundado em 1935/1936 pelo Dr. João Soares e ocupou o nº 19 da estrada de Malpique, hoje denominada Rua Dr. João Soares. Foi instalado no edifício que restava da quinta das Ameixiais de Santa Rita de Malpique, como era chamada em 1867.
Em 1898, era conhecida, simplesmente, como Santa Rita de Malpique.Esta quinta já existia em 1675, nos arredores de Lisboa, com o nome de Malpique, que deve ter designado o nome da estrada. Nessa quinta, no princípio desse século, funcionava uma fábrica de sebo. No tempo em que o colégio foi criado, a quinta denominava-se Misericórdia e, nela, trabalhava-se na agricultura e na criação de gado; por exemplo, o actual ginásio era, nesse tempo, uma vacaria.
João Soares era um pedagogo nato; desde muito novo, acreditava na democracia e sempre foi muito coerente nas suas ideias. Quis fundar o Colégio Moderno porque desejava uma escola livre e acreditava numa pedagogia mais avançada para o seu tempo. Além disso, João Soares criou um estabelecimento de ensino modelo num tempo de ditadura em que era dificílimo consegui-lo. Ele fundara já 2 colégios: o Bairro Escolar do Estoril, situado no Monte do Estoril; e, depois, o Colégio Nun’Álvares, na Venda do Pinheiro, em 1935.
A 15 de Junho de 1934, recebeu o diploma que o autorizava a dirigir estabelecimentos de ensino, superior ao primário particular.
Em 26 de Novembro de 1936, foi concedido a João Soares o alvará que o autorizava a dirigir, em Lisboa, um estabelecimento de ensino com a denominação Colégio Moderno, que se chamou inicialmente Pensionato Moderno, com a capacidade para 35 alunos internos e 75 externos, do sexo masculino e feminino, podendo ministrar o curso primário e secundário (os primeiros dois ciclos) em regime de planos e programas oficiais.
O Colégio Moderno evoluiu ao longo dos tempos e, ainda hoje, se fazem mudanças, de ano para ano.
A 15 de Dezembro de 1938, o Colégio Moderno teve autorização para ministrar o ensino do sétimo ano do curso liceal, podendo, assim, aumentar a sua lotação de alunos até 70 internos e 200 externos, sendo 150 do liceu e 50 da primária. Desde a sua fundação até à publicação da lei que proibia o ensino misto, o Colégio Moderno admitiu alunos de ambos os sexos no regime de internato, semi-internato e externato. Os alunos eram provenientes, geralmente, das colónias ultramarinas e da província, onde as escolas eram escassas. Os internos dormiam onde actualmente é o pavilhão A (mais conhecido como «O pavilhão da Anabela»), no piso superior.
Enquanto o Dr. João Soares foi director, criou no colégio uma série de actividades culturais que publicitaram a escola, aparecendo numerosas notícias e reportagens na imprensa sobre ele.
David Mourão Ferreira, um antigo aluno do Colégio Moderno, lembrou-se disso e recordou: «Quando ninguém falava de actividades circum-escolares, e mui-to menos, de “extensão educativa” ou de “acção cultural”, o Doutor João Soares foi um verdadeiro per-cursor em todos estes domínios, já pelo modo como aqui estimulava as vocações ou as veleidades dos alunos em tais sentidos, já pela autonomia que lhes outorgava em tais a realizações, já pelo interesse — mais que interesse: o entusiasmo — com que as acompanhava, patrocinava e aplaudia.».
Os alunos que frequentaram o colégio antes do 25 de Abril salientam, também, o ambiente de democracia que ali se vivia: até à Revolução dos Cravos, o Colégio Moderno foi uma escola de democracia onde liberdade era concedida a pessoas responsáveis; criou-se, assim, uma relação liberdade— responsabilidade que era praticada pelos adolescentes.
Por exemplo, José Luís Saldanha Sanches disse, referindo a faceta que mais o impressionou no colégio, «Tem sabor a bom à distância o somatório de pormenores que faziam daquele colégio uma qualquer coisa de muito especial numa sociedade conformada». Saldanha Sanches afirmou também: «O que recordo como mais significativo da minha entrada, e depois permanência, no colégio foi o espaço de liberdade que ali existia. Isto à parte do ensino e dos bons professores. Mas o que mais me marcou, pelo menos para um rapaz que como eu vinha do liceu Camões, foi o ambiente de liberdade que ali se vivia». Recordou-se também das festas que haviam no colégio: «Serviam uns copinhos de vinho branco — coisa impensável num colégio nos dias de hoje! — e lembro-me que a primeira piela que apanhei foi numa dessas festas»
Por Despacho Ministerial, a 28 de Janeiro de 1941, o colégio é autorizado a instalar um pensionato para uma frequência máxima de 12 pensionistas do sexo feminino. Entretanto, o Doutor João Soares estivera gravemente doente, como nos conta seu filho, Mário Soares: «Durante a longa e difícil recuperação, re-começaram a aparecer pela nossa casa, o colégio, os seus velhos amigos — como César de Almeida, Utra
Machado, Jacinto Simões, Domingos Pereira, mais rara-mente, porque vivia no Porto, David Ferreira, Amadeu Gaudêncio, Carlos Pimentel, genro do velho Duarte Lei-te, e o fio da conversa política interrompida foi-se re-fazendo».
Um pouco mais tarde, em meados dos anos 40, Octávio Pato foi escondido da polícia, durante uns dias, por Mário Soares que recordou: «Por volta de 1946, não me lembro bem, tendo sido um dos organizadores de uma das greves que houve, [Octávio Pato] fora obrigado a fugir. Veio para Lisboa tendo perdido os “contactos” partidários. Como não tinha onde ficar, alberguei-o, provisoriamente, no colégio do meu pai, onde ele ficou um tempo, como se fosse um aluno…».
A 13 de Setembro de 1947, estando João Soares preso, as funções de director do Colégio Moderno são exercidas pela sua sobrinha Maria da Conceição. Nesta altura, o colégio estava a ser vigiado pela PIDE, nomeadamente o seu director e a sua família. Eram, assim, anotadas todas as matrículas dos carros que estacionassem na área.
A Março de 1952, a polícia política anexa a um dos seus múltiplos processos, em que aparece referido João Lopes Soares, o exemplar nº1 do jornal «GenteMoça — Jornal dos Alunos do Colégio Moderno», dirigi-do por Rogério Araújo. Em 1954, João dos Santos criou, no colégio, com a pedagoga Maria Amélia Borges, um dos primeiros Centros de Orientação Escolar existentes em Portugal (o outro foi na escola da Voz do Operário, em Lisboa).
A propriedade do Alvará do Colégio Moderno é transmitida a favor da Sociedade denominada «Colégio Moderno de João Soares & Filhos, Limitada», constituída pelos sócios João Soares, Cândido Nobre Baptista e Mário Soares, a 3 de Março de 1956.
Um pouco mais tarde, a 16 de Janeiro de 1958, a direcção do colégio é exercida por João Soares e pelo seu filho Mário Soares.
No dia 3 de Outubro de 1968, á autorizada o exercício de funções de director do Colégio Moderno a José Mota Costa juntamente com Mário Soares, Rogério Jorge Ribeiro de Araújo e João Soares (presidente da Direcção).
Depois do 25 de Abril, Maria Barroso, que já dirigia o colégio há uns anos, e Mário Soares, que estava deslumbrado com a liberdade alcançada, decidiram transformar o colégio numa cooperativa. Maria Barroso, com o apoio do marido, organizou várias reuniões com os professores e os empregados, e disse-lhes: «Resolvemos dar-vos o colégio. Consegui equilibrá-lo. Eu saio. Vou dar aulas. Agora já posso ter o meu diploma de ensino» [que a ditadura nunca lhe tinha passado]. Eles, convencidos que a retirada da família Soares desprestigiasse o colégio, perguntaram-lhe: «Teremos alunos?».
Maria Barroso propôs que fosse eleita uma comissão de professores e empregados, com a função de preparar um plano para a passagem ao novo estatuto. Uns dias depois, os professores e empregados vieram ao seu gabinete dizer-lhe que não queriam o colégio e, por isso, este continuou na posse da família Soares, continuando a ser dirigido por Maria Barroso.
Em 1986, quando Mário Soares foi eleito Presidente da República, Maria Barroso continuou a trabalhar de manhã, no colégio. Desde 1986 este é dirigido por Isabel Soares, sua filha, que é psicóloga clínica de formação.
Para nós educar não é apenas transmitir, unilateralmente, os conhecimentos sobre as ciências, a matemática, a literatura e as línguas. É sobretudo – e a par disso – fazer que as crianças e os jovens descubram e vivam os grandes valores humanos na relação com os outros.
A grande aprendizagem do viver com os outros é que vai permitir a construção de uma sociedade tolerante e de paz.
É essa sociedade que queremos para as nossas crianças e jovens. Por isso lhes proporcionamos um ambiente que os estimule para o estudo, que lhes abra a curiosidade pelo mundo que os envolve, que lhes afine a sensibilidade, através de múltiplas e variadas actividades.
A música é uma dessas actividades.
Cremos que ela – como as outras artes – tem um papel fundamental na educação. Por isso ela tem sido, sob a direcção dedicada e competente do Professor José Teixeira, tão cuidada na nossa escola.
Hoje vão poder dar-se conta da nossa razão assistindo a mais uma aula aberta de música.
A Direcção
CM
Grupo de Música de Câmara do Colégio Moderno
mail to: musicaccolegiom@gmail.com
Telef. 21 799 18 40
Fax : 21 799 18 41
Rua Dr. João Soares, nº 19
1600 Lisboa
